2017 e a DevTrip está de volta com tudo!

Terminamos o último episódio da viagem na rua Infinity Loop e com Apple e Facebook (veja o último post aqui). Embarcamos agora em mais um dia em São Francisco.

São Francisco e o Primeiro Dia de Imersão

Conhecer a história da computação, tanto no museu quanto nas garagens históricas, é um passeio curioso. Ele é fundamental para entendermos a essência da cidade e das pessoas que vivem nela.

No domingo, as empresas não abrem para visitas guiadas, portanto tivemos o dia livre para conhecer São Francisco. O grupo se reuniu e fizemos a travessia da Golden Gate até Salsalito de bicicleta. A volta também pode ser feita de bike ou você pode pegar um barco, até São Francisco. Sem dúvidas é uma experiência que vale a pena para conhecer a cidade.

No final da tarde, alguns foram andar pela Market e Mission Street enquanto outros foram para Oakland assistir ao jogo dos Warriors. O dia terminava e todos já estavam ansiosos para as primeiras visitas da DevTrip.

Primeira Parada: Zendesk

Na segunda, todos estavam a postos bem cedo para conhecer o pessoal do Zendesk. A empresa fica em um prédio próprio na Market Street, bem no centro de São Francisco. Com as credenciais na mão, fizemos um tour pelo headquarters até a sala de reunião para a primeira apresentação.

Logo na entrada, já deu para sentir que o pessoal do Vale leva sua história muito à sério. Na primeira parede está pendurada a Zendesk original, uma tábua de madeira onde os founders deram início às suas ideias “zen”. Foi nela que eles criaram uma empresa que ajuda diversos negócios a atenderem melhor seus clientes.

Subimos para a área de negócios e developers e conhecemos o Greg, especialista na plataforma do Zendesk e também developer.

Zendesk e seus 3 pilares

Greg fez uma apresentação sobre o Zendesk e a cultura da empresa. Isto nos deu uma visão de como as empresas desse ambiente pensam quando o assunto é tecnologia. O Zendesk é uma empresa que foca sua plataforma em três pilares básicos:

Support: Permite que os negócios tenham estrutura de atendimento e suporte de primeira classe.

Self-service: Fomenta a construção de estruturas self-services. Para que empresas possam construir suas bases de conhecimento e distribuir para seus clientes de maneira que eles consigam nutrir o ecossistema em volta de seus negócios.

Engagement: Nutre a interação entre pessoas e negócios visando a solução de problemas e dúvidas.

Além disso, o Zendesk é uma “API first company”, como nosso host Greg disse, “API first them the rest”. Isso quer dizer que, antes de desenvolverem uma solução interna ou produto, todos os devs pensam sempre como a interação e a experiência com suas APIs será afetada.

Nutrir esse mindset numa empresa com mais de dez escritórios no mundo, 35 times e diferentes fusos não é fácil. Cada time de desenvolvimento, alocado em cada um dos escritórios, é responsável por algumas funcionalidades. Um com o dashboard principal, outro com a ferramenta de chat, outro com os add ons e assim em diante. Diversos tópicos são prioridade na agenda do time do Zendesk, mas bugs no produto são um assunto sério na empresa. Primeiro o bug é evidenciado e reproduzido internamente para que todos entendam a dor do cliente. Se o bug ainda não foi reproduzido não é repassado para o time de desenvolvimento. Logo após sua identificação, ele é endereçado à equipe responsável para o tratamento adequado.

As Estratégias

O Zendesk tem duas estratégias claras em sua plataforma:

Construa com o Zendesk – Empresas podem usar sua API para desenvolver soluções de relacionamento com consumidores e clientes.

Construa no Zendesk – Empresas podem desenvolver aplicativos para serem utilizados na ferramenta, potencializando funcionalidades e recursos da ferramenta

Esse posicionamento é fundamental para que ele consiga construir um ecossistema no qual existem mais de 500 aplicativos, mais 5 mil desenvolvedores cadastrados e que novas soluções possam ser criadas a partir do seu ambiente.

O Zendesk é uma empresa fantástica e que trabalha com um assunto muito importante hoje em dia, o atendimento e serviço ao cliente. Para eles, o atendimento ao consumidor deve ser mais fácil e mais prazeroso, reduzindo o trabalho para a resolução de problemas. Após a apresentação, a visita continuou com um tour pelos andares do escritório e uma conversa rápida com o Sander no anfiteatro da empresa, local no qual acontecem as calls em que o CEO fala com todos os escritórios.

Segunda parada: ThoughtWorks

Nossa primeira visita terminava ali. Fomos direto para o almoço para logo depois ter nossa próxima parada: a ThoughtWorks.

A ThoughtWorks é uma consultoria de tecnologia que atua no desenvolvimento de projetos para organizações financeiras, governo, de saúde e varejo. Seu portfólio de serviço e produtos é bem grande e além de projetos customizados, eles ajudam também na implementação de metodologias de desenvolvimento e gestão, design de produtos e boas práticas com seus clientes.

O foco deles é desenvolver soluções e projetos de maneira rápida, o que normalmente demoraria meses em uma empresa e limitaria o seu avanço. Eles acreditam que a tecnologia deve ser usada a favor dos negócios e não deve ser uma limitação para o seu crescimento. Fomos recebidos pela Fernanda, que é head do escritório de São Francisco e é brasileira!

Ela nos explicou um pouco da história dela, como ela foi parar na ThoughtWorks e como eles desenvolvem seus projetos.

Com clientes globais a empresa precisa de equipes alocadas, além disso, o trabalho remoto é extremamente importante. O time de desenvolvimento tem integrantes em diversos países que trabalham à distância, assim como são enviados regularmente para as sedes e para reuniões com clientes.

Os times seguem diferentes metodologias dependendo do projeto e solução que estão desenvolvendo para o cliente. Por isso, a formação do time é fundamental para o sucesso do projeto. A empresa tem um sistema interno que mapeia as competências de cada um e nem sempre todos os funcionários estão alocados, nesse momento, alguns deles ficam na “praia” esperando um novo projeto. Durante esse tempo, eles podem auxiliar em projetos já em progresso ou utilizar o tempo para estudar.

O Processo Seletivo

Um ponto que torna a empresa conhecida no mundo da tecnologia, principalmente pela comunidade de desenvolvedores e é fundamental para o sucesso da ThoughtWorks é o processo seletivo.

As etapas são extremamente rígidas e o candidato passa por uma bateria de testes e entrevistas. Na primeira etapa é enviado um desafio para o candidato, primeiro ele deve resolver o problema descrito pela empresa e enviar o código e a solução para os desenvolvedores que irão rever e avaliar sua qualidade. Após isso, é realizada uma entrevista técnica na qual o entrevistador avalia o conhecimento técnico de frameworks, linguagens e metodologias. Se o candidato passar por essa etapa, ele é exposto a uma seção de pair programming com um funcionário da ThoughtWorks para a avaliação em uma simulação de um caso real.

Todas essas etapas englobam avaliações diretamente ligadas à tecnologia, porém como uma consultoria, o candidato tem como suas últimas etapas a Consulting Interview e a avaliação dos valores da empresa. Completado e aprovado em todo o ciclo de avaliações, o desenvolvedor torna-se um membro da ThoughtWorks.

Com diversos projetos realizados, a ThoughtWorks criou uma ferramenta chamada Technology Radar (https://www.thoughtworks.com/radar). Ela reúne os pensamentos e tendências tecnológicas da empresa, correlacionando técnicas, ferramentas, plataformas, linguagens e frameworks. Todo esse arcabouço de conhecimento é gerado a partir dos diversos projetos realizados no mundo todo e disponível abertamente.

Apesar de não ser uma empresa badalada com produtos B2C, a ThoughtWorks está em diversas soluções do dia a dia. Eles estão na plataforma de Crowdfunding da Gucci – que ajuda mulheres e meninas de diversos países – até aplicativos da Target. Além de projetos com a Domino’s, Expedia, Globo.com, Abril, dentre outras. Nosso primeiro dia de visitas se encerra aqui! Fique ligado pois no próximo post falarei das visitas na Mozilla e no MongoDb!

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